Sobre Protestos, Ironia e Expressão

#17jcwb - Santos Andrade

Aviso logo: esse não é um texto sobre política, nem de longe.

Quando começaram as informações sobre os confrontos nos protestos contra o aumento da tarifa em São Paulo, eu fiquei vidrada. Por algum motivo que eu ainda não entendia, tudo aquilo me comovia, me sugava de um jeito que há tempos eu não me envolvia. Algo terminou de me despertar de um estado de apatia em relação ao coletivo que eu andava cultivando há muito tempo, situação essa que já tinha me tirado a vontade de interagir no Twitter e que fez com que meus posts no Facebook se resumissem a um ou outro compartilhamento sobre coisas de trabalho.

Essa minha apatia cresceu a medida que o “estado geral de ironia” tomou conta dessas redes. Eu curto uma ironia, mas, de repente, todo mundo parecia se sentir obrigação ironizar qualquer um que tivesse uma opinião ou ideia, independente do assunto, independente do objetivo. O importante era a ironia pela ironia, era se colocar numa esfera a parte, se distanciando, ridicularizando e diminuindo qualquer assunto e fazer o coleguinha rir para se afirmar na turminha da ironia. Aqui tem um texto que aborda bem esse estado de ironia, vale a leitura. Aos poucos eu comecei a sentir que simplesmente não valia a pena entrar nessa brincadeira, que não valia nem tentar começar uma conversa séria porque, por costume geral, ela ia cair numa piadinha e morrer com o próximo meme vazio. Ninguém comentava mais argumentando e questionando, só tentando cravar uma ironiazinha marota. Aos poucos tudo foi ficando morno e engraçadinho, mesmo quando a tentativa da ironia era de supostamente criticar um problema, aquilo simplesmente se perdia no bolo. Senti que o diálogo tinha estagnado e que não valia mais a pena ficar falando sozinha.

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